08 – Ado, ado, ado, Angélico, muito obrigado – Cônego Antônio Manzatto

08 – Ado, ado, ado, Angélico, muito obrigado – Cônego Antônio Manzatto

O céu mandou um anjo para nos lembrar que Deus é Amor! O anjo, Angélico, nasceu em Saltinho de Piracicaba em janeiro de 1933. Começou seus estudos por lá mesmo, depois fez filosofia em São Paulo e Teologia em Viamão. Foi ordenado em 1959 e pertenceu ao presbitério de Ribeirão Preto, onde formou-se em jornalismo. Em dezembro de 1974, São Paulo VI o nomeou bispo, e ele foi ordenado em janeiro de 1975, aos 42 anos, como bispo auxiliar de São Paulo. Trabalhou na periferia e entre os trabalhadores, sendo bispo da Região, hoje diocese, de São Miguel Paulista e depois, da Brasilândia, onde plantou seu coração. Ficou aqui até 2000, quando foi nomeado para ser o primeiro bispo da recém-criada diocese de Blumenau, na bela e Santa Catarina, como dizia. Lá permaneceu, profeticamente, por 9 anos, regressando para viver no Jardim Primavera.

Foi voz profética durante todo seu ministério. Atuou junto à Pastoral Operária em um tempo em que os trabalhadores lutavam por seus direitos; na Pastoral da Periferia, quando era uma das prioridades da Igreja em São Paulo; na defesa dos Direitos Humanos, quando era uma necessidade em nosso país pelas atrocidades que se cometiam. Participou da Conferência de Aparecida, esse lumiar de retomada da tradição teológica latino-americana e que Francisco encarregou-se de espalhar pelo mundo todo. Pela sua fidelidade a seus compromissos pastorais, forma de encarnar o Evangelho de Jesus, foi incompreendido, caluniado, perseguido. Mas também foi amado em seus 65 anos de padre e 50 anos de bispo!

Testemunha do amor de Deus entre nós, não há uma só pessoa da Região Brasilândia que não tenha uma boa lembrança, uma boa história vivida com D. Angélico. O mesmo pode ser dito dos outros lugares por onde passou em seu cuidado pastoral. Ele nos ensinou que fora do amor aos pobres não há salvação; que Deus acontece no cotidiano histórico de nossas vidas; que é em comunidade que partilhamos a fé; que Deus nunca abandona seus filhos e filhas! Bispo de muitos títulos, nunca prestou atenção a eles! Homem de adjetivos, foi despojado em meio aos despossuídos; simples em meio aos humildes; vigoroso na defesa dos pobres e dos fracos. Não existiu nele traços de clericalismo, de apego ao poder ou de autoritarismo. Dialogante, ecumênico, solidário, amoroso, ou como diz Francisco, sinodal. Viveu por uma igreja toda ela ministerial, comprometeu-se com uma igreja pobre entre os pobres, trabalhou para que o ministério ordenado fosse sempre visto como serviço ao Povo de Deus.

Agora, Angélico aceitou o abraço amoroso e misericordioso do Pai. Deixa entre nós, além da saudade, o exemplo de serviço, de luta, de compromisso, de amor. Agora, contamos também com sua intercessão junto ao Amor de Deus. Ado, ado, ado, Angélico, muito obrigado! Tenha a certeza de que nós, que ficamos, continuamos a luta, com esperança sempre! Afinal, também cremos que Deus é Amor! Enquanto os pobres te recebem no Reino e te conduzem nos braços para o abraço definitivo do Pai, nós iniciamos nossa celebração cantando.

Nota: Comentário da missa exequial de Dom Angélico Sândalo Bernardino, escrita pelo Cônego Antônio Manzatto, na quarta-feira da Semana Santa, 16 de abril de 2025, na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida de Vila Zatt.

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